Ônibus cheio, pessoas cansadas, rostos caídos e inexpressivos. Já passavam das 23 horas. O ônibus veio do Brás e seu destino era Poá. Em um dado momento quando passava pela cidade de Itaquaquecetuba, uma mulher, em um ponto escuro e sozinha, dá o sinal. A porta da frente não foi aberta, então ela entra pelo fundo e com isso o cobrador a indaga. A mulher diz que desceria se o motorista abrisse a porta da frente, ele diz que sim. Ela desce e ele parte, não cumprindo o que disse. Logo no ponto a frente, o mesmo fato acontece, com uma outra senhora. Muitos dos passageiros começam a gargalhar, foi aí que um sensato grita lá do fundo: "ela poderia estar voltando para casa depois de um dia longo de trabalho, se fosse a sua mãe você não faria isso." Mas o sensato é calado pela feroz gargalhada dos despreocupados. Enquanto isso, as duas mulheres esperam o próximo ônibus que lhes permitam entrar além da porta, e pagar R$ 3,00 para adentrarem além da catraca, ainda assim com a incerteza de conseguirem um assento para o último cochilo do dia.quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Ônibus das onze
Ônibus cheio, pessoas cansadas, rostos caídos e inexpressivos. Já passavam das 23 horas. O ônibus veio do Brás e seu destino era Poá. Em um dado momento quando passava pela cidade de Itaquaquecetuba, uma mulher, em um ponto escuro e sozinha, dá o sinal. A porta da frente não foi aberta, então ela entra pelo fundo e com isso o cobrador a indaga. A mulher diz que desceria se o motorista abrisse a porta da frente, ele diz que sim. Ela desce e ele parte, não cumprindo o que disse. Logo no ponto a frente, o mesmo fato acontece, com uma outra senhora. Muitos dos passageiros começam a gargalhar, foi aí que um sensato grita lá do fundo: "ela poderia estar voltando para casa depois de um dia longo de trabalho, se fosse a sua mãe você não faria isso." Mas o sensato é calado pela feroz gargalhada dos despreocupados. Enquanto isso, as duas mulheres esperam o próximo ônibus que lhes permitam entrar além da porta, e pagar R$ 3,00 para adentrarem além da catraca, ainda assim com a incerteza de conseguirem um assento para o último cochilo do dia.quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Medo de bicho
Aconteceu há algumas semanas. Chego da faculdade, cansada,
com vontade apenas de tomar um banho, preparar uma caneca de leite e desabar
sobre o colchão. O dia foi de muito calor, durante a noite o clima estava um
pouco mais agradável. Abro o portão, que geralmente meus pais já deixam
discretamente aberto, pego as chaves e abro a porta. Coloca as chaves no balcão
da cozinha entre a sala e me dirijo ao meu quarto. Acendo a luz e, vejo uma
barata na parede próxima a minha cama. Não gritei. Devagar, bem devagar vou me
abaixado para apanhar um de meus chinelos ao chão... Vagarosamente eu me
levanto e vou em direção a dita cuja. Agora, não posso mais agir com lentidão.
Meu braço se vira e dá-lhe a chinelada. Todas as minhas forças estavam naquele
braço, misturadas com asco. Ela escapa e não consigo mais vê-la.
Naquela noite não dormi em meu
quarto. É ridículo, confesso. Mas não consegui. Senti medo, repulsa e nojo. Só
de saber que ali dentro tinha um bicho vivo, preferia ir mesmo para o sofá da
sala. No dia seguinte, entrei no quarto e pensando ainda na barata, averiguei
se ela não poderia estar por lá... Bem, acho que não. Ela se foi. Olhei para o
chinelo, olhei para a parede e dei muitas risadas. Mãe sempre diz que você não
precisa ter medo destes bichos, eles são pequenos e quem deve sentir medo são
eles. As crianças sentem-se mais seguras. Eu ouvia muito isso...
Ali, de súbito imaginei que naquele
momento quem deveria estar em pânico, aterrorizada com um ser gigante segurando
um objeto de borracha preste a lhe esmagar, não era eu. Dei mais risada. A
pobre da barata tomada pelo pavor fez o que até nós, racionais, faríamos. Ela
se escondeu de mim porque não queria morrer.
Hoje, voltando para casa, vi
uma barata correndo pela calçada, desesperada. Nada de medo. Lembrei da barata
do meu quarto. Em que quarto ela deve estar agora? Será que conseguiu escapar
de mais chinelos? Em quantos tantos de pessoas ela já botou medo, além de mim?
Ah, pena que barata não fala...
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