Texto para o blog Mural.
Comecei a cursar Jornalismo por admiração. Ligava o rádio toda manhã e ao escutar a narração do noticiário não analisava o teor da gravidade das informações oferecidas ou sua simples constatação, mas na postura do jornalista, seu modo de falar, de produzir e transmitir conhecimento.
Eu, do outro lado do microfone, da câmera, do computador me senti na obrigação de saber quem é esse tal de jornalista, que não tem diploma, que suja a sola do sapato, que dá o sangue por um furo. Por que ele quer me deixar bem informado? Porque eu mereço e tenho o direito. A partir deste momento larguei minha faculdade de Filosofia e fui me aventurar nesse universo fascinante e passei a descobrir mais uma paixão, escrever.
Segundo Graciliano Ramos: “Quem escreve deve ter todo cuidado para a coisa não sair molhada. Quero dizer que da página que foi escrita não deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano lavado que se estira no varal”, de fato é, pois um jornalista que faz bom uso da palavra utiliza com precisão e deveras atenção para não dizer mais do que deveria e ser suficiente, mas eficaz. O escritor continua: “elas começam com uma primeira lava. Molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Depois colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Depois batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.”
É exatamente esse cuidado que se tem com a palavra, com a informação que me encanta e me faz querer ser jornalista. Conhecer histórias, compartilhá-las e fazer com que as pessoas se sintam mais comuns, mais próximas umas das outras. Contudo, Graciliano Ramos conclui que: “pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer.” Dizer e ser voz daqueles que não são ouvidos.
Almejo ser jornalista porque tenho orgulho desta profissão, quero ser a voz da minha comunidade, para a minha comunidade e pela minha comunidade. Quero mostrar a beleza da minha cidade e contribuir com sua melhoria. Quero ser correspondente comunitária do Mural porque quero deixar a voz falar e que ela possa se unir a outras tantas e tantas vozes e em uma espécie de coro, gritem: cidadania.
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