sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A "cidade jóia"

Texto para o blog Mural.

Com seus 17 Km² e pouco mais de 100.000 habitantes, Poá faz história.  Município de nome e território pequenos, mas grande quando se trata de indicadores sociais e serviços para a sua população. Dentre as cidades da região do Alto Tietê, ela é a que mais se destaca. Ao conversar com pessoas que residem em Poá, se houve banhos de elogio à cidade.  Sua aparente tranquilidade e clima interiorano passam a ideia de segurança e bem-estar. Seu lema é: “os pequenos vencem pela audácia.”

Poá vem ganhando papel importante no cenário estadual. O projeto do trecho leste do Rodoanel Mário Covas é exemplo disto.  O projeto está em processo de liberação ambiental. Com 43,5 km de extensão, ele vai ligar o trecho sul, no sistema Anchieta - Imigrantes, com as rodovias SP - 066, Ayrton Senna e Presidente Dutra, passando pelos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Mauá, Poá, Ribeirão Pires e Suzano.

Protagonista da EXPOÁ, festa tradicional de exposição de orquídeas e plantas ornamentais, o principal evento de Poá, que conta com outras atrações como concursos culturais e apresentações de cantores de vários gêneros musicais. Realizada todos os anos no mês de setembro na Praça de Evento, centro, a EXPOÁ de 2011 aderiu à era digital e disponibilizou aos visitantes sinal aberto para internet via wi-fi, em seus cinco dias de duração. Com cerca de 300 mil visitantes não se tem dúvida da popularidade deste evento e da identidade que ele deu ao município.

O investimento em cultura e lazer é evidente. O Centro Cultural Taiguara oferece aulas de dança para poaenses de 6 a 49 anos totalmente gratuitas. São cursos de ballet, jazz, dança de rua, dança de salão, ginástica e dança do ventre para iniciantes ou pessoas que já possuem algum tipo de experiência. Demais cursos, como o de teatro, fanfarra orquestra e coral também estão disponíveis. Há também exposições de arte como a “Arte Maia”, composta de réplicas dos objetos originais que se encontram em Museus e Coleções particulares – está em cartaz neste mês. Além dos incentivos aos esportes com campeonatos internos.

Apesar do desenvolvimento a denominada estância hidromineral de Poá tem seus aspectos negativos. Ruas que precisam ser asfaltadas em bairros afastados, medidas para evitar enchentes, causada pela água que transborda do córrego que corta a cidade, e melhorias no transporte público.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A voz e a vez da comunidade

Texto para o blog Mural.

Comecei a cursar Jornalismo por admiração. Ligava o rádio toda manhã e ao escutar a narração do noticiário não analisava o teor da gravidade das informações oferecidas ou sua simples constatação, mas na postura do jornalista, seu modo de falar, de produzir e transmitir conhecimento.

Eu, do outro lado do microfone, da câmera, do computador me senti na obrigação de saber quem é esse tal de jornalista, que não tem diploma, que suja a sola do sapato, que dá o sangue por um furo. Por que ele quer me deixar bem informado? Porque eu mereço e tenho o direito. A partir deste momento larguei minha faculdade de Filosofia e fui me aventurar nesse universo fascinante e passei a descobrir mais uma paixão, escrever.

Segundo Graciliano Ramos: “Quem escreve deve ter todo cuidado para a coisa não sair molhada. Quero dizer que da página que foi escrita não deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano lavado que se estira no varal”, de fato é, pois um jornalista que faz bom uso da palavra utiliza com precisão e deveras atenção para não dizer mais do que deveria e ser suficiente, mas eficaz. O escritor continua: “elas começam com uma primeira lava. Molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Depois colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Depois batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.”

É exatamente esse cuidado que se tem com a palavra, com a informação que me encanta e me faz querer ser jornalista. Conhecer histórias, compartilhá-las e fazer com que as pessoas se sintam mais comuns, mais próximas umas das outras. Contudo, Graciliano Ramos conclui que: “pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer.” Dizer e ser voz daqueles que não são ouvidos. 

Almejo ser jornalista porque tenho orgulho desta profissão, quero ser a voz da minha comunidade, para a minha comunidade e pela minha comunidade. Quero mostrar a beleza da minha cidade e contribuir com sua melhoria.  Quero ser correspondente comunitária do Mural  porque quero deixar a voz falar e que ela possa se unir a outras tantas e tantas vozes e em uma espécie de coro, gritem: cidadania. 


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A felicidade não é uma só

O meu ângulo.
Foto: Tamiris Gomes
Estava no meio da tarde, havia sol. Aquele sol ardente, que queima, que faz os olhos não conseguirem abrir, que te deixa exausto da sobrecarga de luz, do calor que incomoda, que gruda. Avistei uma árvore e ali pousei. Grama verde, folhas caídas, meus olhos viam o céu azul por entre as brechas dos galhos da árvore. O vento passava por ela, passava por mim, passava... Vento, fica? Ele não quer. Quer passear, quer se aventurar. Vai ao casal da árvore ao lado, ao garoto deitado fazendo da mochila seu travesseiro, vai que não se sabe onde.

Pego o livro, leio uma frase, aquele céu está tão lindo, eu não consigo ler. Quero contemplar aquele azul. O azul que só eu posso ver, em um ângulo que só eu projeto, nesses olhos que a vida me deu. 
Eu ali imóvel, enquanto o vento voava por mim. Eu esqueci de todos os meus problemas, naquele minuto eu fui feliz.

Felicidade é um estágio que jamais alcançaremos. A felicidade absoluta é um mito, eu também concordo. Creio que a felicidade em si não é uma 'coisa' ou um 'sentimento' mas é uma busca. Uma busca constante por esses míseros minutos de felicidade. Nunca estaremos felizes por inteiro, mas quando uma das partes está feliz, as outras comemoram. Não seja feliz, busque a felicidade. Se porventura achá-la busque novamente, a felicidade não é uma só.

Busque a sua árvore, busque o seu céu azul.
Não deixe de não ser feliz por não lutar e não conseguir. 
Não deixe de não ser feliz por não resistir e não vencer.
Não deixe de ser feliz porque existe o não!

Tive que me levantar, abandonei a felicidade. Mas a grama não me deixava ir, ela me puxava, me prendia. O céu já não era mais tão azul e o vento resolveu ficar, então eu relutei e fui.
Ah! A grama era tão verde. O verde que só eu posso ver, em um ângulo que só eu projeto, nesses olhos que a vida me deu...