sexta-feira, 10 de junho de 2011

Silêncio e Palavra

Em umas das palestras que tive para a formação de educadores na Bienal, Giuliano Tierno, ator e contador de histórias, cita um poema de Thiago de Mello que me chamou muito a atenção, Silêncio e Palavra:


I

A couraça das palavras
protege o nosso silêncio
e esconde aquilo que somos

Que importa falarmos tanto?
Apenas repetiremos.

Ademais, nem são palavras.
Sons vazios de mensagem,
são como a fria mortalha
do cotidiano morto.
Como pássaros cansados,
que não encontraram pouso
certamente tombarão.

Muitos verões se sucedem:
o tempo madura os frutos,
branqueia nossos cabelos.
Mas o homem noturno espera
a aurora da nossa boca.

II

Se mãos estranhas romperem
a veste que nos esconde,
acharão uma verdade
em forma não revelável.
(E os homens têm olhos sujos,
não podem ver através.)

Mas um dia chegará
em que a oferenda dos deuses,
dada em forma de silêncio,
em palavra transfaremos.

E se porventura a dermos
ao mundo, tal como a flor
que se oferta - humilde e pura - ,
teremos então cumprido
a missão que é dada ao poeta.
E como são onda e mar,
seremos palavra e homem.



É Proibido Estacionar

Você já tentou estacionar o seu carro no shopping sábado à noite, ou no centro da cidade próximo a locais comerciais? Então sabe como é difícil encontrar aquela vaga tão desejada, o espaço necessário para guardar seu veículo em segurança. É uma busca incessante, disputada, por vezes se demora horas... Além disto, existe uma restrição de que há lugares que não se pode estacionar.

Foto: Tamiris Gomes
E quanto a nós? Será que guardamos o nosso espaço para estacionarmos, descansarmos e refletirmos sobre nós mesmos e sobre o que nos rodeia? Sobre os fatos que estão mudando os rumos da nossa sociedade? Sobre os direitos como cidadão, trabalhador, pagador de impostos, pai ou mãe e sobretudo como ser humano?
O mundo pede para que você esteja em movimento o tempo todo, que seu motor não desligue. A rapidez da informação proporcionada pela tecnologia, e a contradição de uma comunicação bem aparada, com inúmeros meios para se realizá-la, porém escassa em conteúdo e forma denota o cenário da globalização. Deve-se estar a 120 km/h o dia inteiro, toda hora. O ‘parar ‘ se revela como aspecto negativo.
Há momentos que precisamos estacionar, retomar as energias, calibrar as ideias, vistoriar os objetivos e colocar as metas no porta-malas para enfim seguir uma nova viagem, com o cuidado de não estacionar na tristeza, angústia... e seja cauteloso quando passar pelas lombadas da vida.

Reserve a sua vaga, estacione.

Liberdade de opinião e pensamento é tema de Encontro com Jornalistas Escritores

O encontro foi promovido pelo Congresso Mega Brasil de Comunicação 2011 com a curadoria do jornalista Audálio Dantas.

Nos dias 25 e 26 de maio, no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo, estudantes e profissionais da área de comunicação puderam participar do Encontro com Jornalistas Escritores que reuniu nomes de destaque do jornalismo e da literatura brasileira em quatro sessões. O evento contou com a presença de Ricardo Kotscho, Laurentino Gomes, Zuenir Ventura, Caco Barcellos, Mauricio de Sousa, Juca Kfouri, Moacir Japiassu, Eliane Brum , Antônio Torres, Sérgio Dávila e Regina Echeverria. Um dos convidados que não pode comparecer foi Ziraldo, por estar com dengue.

Foto: Tamiris Gomes

Além do tema sobre a liberdade de opinião e pensamento foram discutidos assuntos a cerca do fazer jornalístico e da escrita no cenário atual da sociedade. Laurentino Gomes, escritor e jornalista, autor dos livros 1808 e 1822 responde que “quem não lê bem não escreve bem” quando perguntado sobre os desafios da elaboração de um bom texto. E “a melhor maneira de começar a escrever é começar a escrever”, afirma Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica e recentemente o mais novo membro da Academia Paulista de Letras.

Foto: Tamiris Gomes

O jornalista e repórter Caco Barcellos, também conhecido por escrever o livro Rota 66 enfatiza a importância do diálogo. “Na apuração você conversa, vê gente, a escrita é um ato solitário.”
No debate a respeito do jornalismo como literatura e se ambos podem andar juntos, Moacir Japiassu, jornalista e escritor de renome, diz que “jornalismo é um gênero literário”, pois você tem um personagem central, uma ambientação e a notícia é tudo o que envolvem este personagem.